A Cristina Sousa enviou-me o texto de opinião que abaixo apresento e acedeu em que eu o publicasse aqui.
Informo todos que estou receptivo a este tipo de opiniões. Má educação, desdenho ou maldizer sem sentido NÃO ENTRAM AQUI … a não ser que seja necessário …
.
” Como serão os meninos e meninas da Escola dos Castelos no futuro?
Cristina Sousa*
Coloquei-me a mim própria esta questão no dia 1 de Outubro, quando se realizaram as eleições para a Associação de Pais da Escola dos Castelos. E porquê? Porque esta é uma escola com cerca de 200 alunos e apenas 50 foram representadas pelos seus pais/encarregados de educação, ou seja, cerca de 150 ficaram órfãs de representação parental.
Claro que quando ouvimos algo deste género nos horrorizamos e pensámos: “Coitadinhas das crianças que não têm quem se preocupe com elas.” Mas isto não é a verdade toda. Temos que ter em consideração as circunstâncias da eleição: os pais/encarregados de educação apenas tiveram dois dias para tomarem contacto com os planos de actividades propostos por cada uma das listas, a eleição decorreu num dia de semana, a horas em que a maioria das crianças estão a ser deitadas para o outro dia voltarem à escola, existem provavelmente famílias monoparentais e sem apoio familiar, portanto são muitas questões para os pais ponderarem em pouco tempo. No entanto, gostaria de chamar a atenção para a importância da participação dos pais em alguns momentos-chave da vida dos seus filhos. A escola está a precisar de obras urgentes, as paredes do recreio estão cheias de graffiti obscenos, durante o ano passado faltou papel higiénico, sabão, toalhas de papel, detergentes para a limpeza (isto foi-me confidenciado por uma auxiliar que se lamentava: “Muitas vezes só temos água para limpar”), a comida da cantina não é de muito boa qualidade e na maioria das vezes é servida fria aos alunos do 3º e 4º anos, as crianças do Jardim-de-infância só têm terra para brincar nos recreios, muito se falou de um piso seguro para o seu recreio e de equipamentos de jogo, mas nada foi feito…
Será que ninguém é responsável por estas situações e pela sua erradicação? Claro que sim, mas é necessário que as Associações de pais desempenhem bem o seu papel na defesa dos direitos das crianças. E nós enquanto pais o que poderemos fazer?
Antes de mais suponho que temos de aproveitar todas as oportunidades para participar na vida da escola dos nossos filhos, mesmo quando isso nos pareça à primeira vista impossível. Só através da participação dos pais as situações poderão mudar. Alguns pais perguntam-me: “Mas não poderiam realizar as eleições a outra hora?”. Eu penso que tudo é possível, se tivermos boa vontade, só temos é que usar a nossa voz para que as mudanças ocorram. Quando no título deste artigo de opinião me perguntava: “Como serão os meninos e as meninas da Escola dos Castelos no futuro?” estava a referi-me à sua noção de cidadania, ao exemplo que lhe podemos dar nessa matéria. Se não formos nós a mostrar-lhes que sabemos lutar pelos seus direitos e cumprir os nossos deveres de pais mais ninguém o fará. A cidadania e o seu exercício não são algo que se compre ou venda é algo que se aprende todos os dias com os valores e as atitudes que as crianças vão aprendendo com os seus heróis do dia-a-dia: os pais!
Continuem a ser heróis todos os dias e participem!
* Mestre em Ciências da Educação e mãe da Luísa do 2º A “
Concordo com o que dizes em género, grau e número.
Mas sou também da opinião que falta de circulação da informação ajuda muito a que os pais e encarregados de educação se demitam mais facilmente desses deveres.
Se não sei o quê ou como ( dá trabalho procurar ), para quê fazer?
Este texto parece um óptimo incentivo aos pais, para que se apliquem nos deveres que possuem para com os filhos.
Pretendo apenas fazer um pequeno reparo: para quê deixar patente a informação sobre o grau académico (mestre) e em que área curricular (ciências da educação) quando parte das frases se encontram sintaticamente mal construídas ou quando os tempos verbais nao se coadunam uns com outros?
As ideias são boas. A apresentaçao das mesmas, essa, não é melhor.
Que necessidade afirmativa tende a ser esta?
Gomes, um simples estudante de História.
Caro Gomes,
Ainda bem que está atento ao que escrevo, ainda mais se for encarregado de educação. Quanto à questão que me coloca directamente, para além de gramaticalmente estar mal construída, eu compreendi-a. 1º Não tenho qualquer necessidade afirmativa, uma vez que convivo perfeitamente com as minhas identidades psicossociais, de entre as quais a minha identidade académica; 2º Eu apenas achei importante referir o meu grau académico e especialização para que as pessoas compreendam que sei do que estou a falar, não é uma opinião baseada no senso comum, mas em literatura científica, com bases empíricas; 3º No seu curso de História devem aprender muito Português, suponho eu, pelas suas insinuações, eu não saberei tanto admito, contudo sempre que escrevo algo submeto-o ao corrector disponibilizado pela Priberam, logo suponho que as pessoas que para eles trabalham também não saibam Português; 4º Ao contrário do Gomes muitas pessoas acham que eu escrevo bem Português e outras línguas, senão não teria livros e artigos científicos publicados quer em Portugal, quer no estrangeiro.
Agradeço no entanto os seus reparos que certamente irão ser muito úteis no futuro.
Um abraço
Cristina Sousa
Qustões gramaticais à parte, julgo que as eleições da Escola dos Castelos reflectem apenas a situação de um país muito pequenino. Senão vejamos: quer as eleições autarquicas, quer as legislativas, quer as presidenciais… ocorrem durante todo o domingo e nem por isso os portugueses vão votar. Portanto, não me parece, que a abstenção na escola dos Castelos se deva apenas ao horário escolhido para realizar as eleições. Assim como Cristina Sousa, também eu sou da opinião de “que tudo é possível, se tivermos boa vontade”. Muitas vezes falta é essa boa vontade de ter uma participação mais activa na vida escolar. Claro que não se pode generalizar e muitos pais não podem participar por não terem um bom suporte familiar ou por morarem longe da escola ou simplesmente porque estão estafados. Mas francamente, o horário parece-me mesmo ser o menos mau, porque: uma hora antes é hora de jantar; duas horas antes são horas dos trabalhos de casa, do banho, de preparar o jantar… ; uma hora depois é impensável e por aí adiante. O que eu acho verdadeiramente hilariante – e sim, estou a ser irónica – é o facto, de alguns membros das listas não estarem presentes nas eleições. Isto sim, já me causa uma certa comichãozita.
Cumprimentos
Diana
Realmente é verdade que assim foi…
Acho contudo que só serviu para provar que a sociedade laboral nos dias que correm é mesmo heterogénea… feliz ou infelizmente alguns têm de trabalhar à noite, mas mesmo assim é bom saber que não se importam de se envolver em projectos que promovam a melhoria da qualidade da educação, podem é não ter hipótese de estar presentes em actos burocráticos que são legalmente impostos.
Também prova que há casos raros em que ambos os pais se envolvem mesmo sem terem “backoffice” pois pretendem ambos participar.
Por outro lado penso que qualquer um concorda que as Assembleias Gerais não são sítios para crianças pois são falados imensos assuntos que os seus ouvidos em, estado puro, não entendem e portanto não devem ouvir … logo … alguém tem de ficar com as crianças.
Eu por exemplo faltei: estive a trabalhar e depois fiquei com os meus filhos. Mas a minha mulher esteve lá.
Outros houve que não estiveram presentes mas tenho a certeza que não se demitiram do seu papel de pais e educadores e que estarão lá quando puderem para colaborar no que for preciso… Eu pelo menos não me demiti e colaborarei no que puder.
Em relação ao comentário anterior…..
Eu fazia parte da lista B (a que “perdeu”), e estive presente na assembleia, por isso considero ter legitimidade para este comentário.
Mais grave do que a ausência de alguns elementos da “minha lista” (todos, sem excepção, por motivos profissionais), é o facto de termos actualmente membros eleitos que nada tem a ver com a vida académica daquela escola. Nem filhos, nem netos, nem nada que os ligue à escola. Nada.
O que me leva a questionar sobre os verdadeiros motivos de estarem incluidos na actual Ass. Pais.
Cumprimentos,
Jorge Jesus